domingo, 5 de junho de 2016

Libertando-se da obsessividade dos planejamentos

 
Depois de várias mudanças de plano de quem iria para onde e de quem ficava ou quem prosseguia viagem, finalmente foi acertado. Nilo, Paulo e eu continuamos o pedal para a próxima cidade (Mont Serrat - RJ). Bel e Giovana pegaram um transporte, adiantando o caminho, e nos esperando em Secretário - RJ. Os demais foram conhecer o Parque de Ibitipoca.

Sobre isso, algo se destaca, que é a questão do planejamento. Aliás, sobre o planejamento, sempre foi ponto de altas discussões no grupo. De modo geral não que inexista o planejamento, mas este vai sendo feito e refeito no percurso. Para dizer a verdade, o grupo tem propensão a curtir a aventura do improviso, do imprevisto e do inusitado. Isso contraria todo establishment do mundo capitalista, que ânsia por ordem e progresso. Gosto desse jeito anárquico do grupo. Acho que viver assim, pelo menos em certas doses, é revigorante e libertador.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Tiradas do Bel

Quando, na saída da cidade de Santos do Dumont, subindo um interminável morro, todos empurrando suas bikes e já esbaforidos, Bel gritou de lá de baixo:
- Esse Santos Dumont é para devorar, é!?


Depois de um pedal punk a caminho de Juiz de Fora e enfrentando toda a sorte de intenderias e numa interminável entrada da cidade, Bel disse:
- Aqui não é Juiz de Fora não. Aqui é Juízo de Fora!

Bel é o nosso ciclista bon vivant , sempre de bem com a vida e que é "tirador de frases", como a que deu nome ao grupo: "só vai quem tem negócio".



As 21 quedas de Arqueline

Na saída de Santos Dumont para Juiz de Fora foi uma experiência, no mínimo, inusitada. Logo de cara fizemos uma subida radical - era paralelepípedo e como estava chuviscando, as as bicicletas deslizavam. Depois, seguindo os marcos da Estrada Real, emborcamos em uma trilha fechada. Entre lama, mata fechada e subidas íngremes, depois de uma hora empurrando as bicis, vencemos menos de 1 km. Daí em diante foi só lama grossa, riachos e mais mata fechada. Mesmo as fazendas que encontrávamos eram nas entranhas da mata. Quase não dava para pedalar. Na subida bruta de um trecho, quando todos estavam no topo, Arquelene, a última, vez por outra caia e tombava com bicicleta e tudo no chão! A diversão então passou a caçoar a valente Arquelene. Então quando o grupo, no topo do morro, ria dos seus tombos, ela de lá de baixa esbravejava e soltava todos os impropérios. Ao todo foram 21 quedas.



A prudência

 A prudência é uma valiosa sabedoria que, entrelaçada com a aventura, eleva a experiência das histórias vividas. A prudência não é impedimento, portanto, para aventura, para o sabor de uma história vivida que se degusta na entrega. 
A prudência é a nossa parte, são as ações que nos cabem, para nos mantermos em integridade, de nos preservarmos, até mesmo para nos prolongarmos na própria aventura, na história. Não por covardia de encarar o fim, o inevitável, mas por sorver cada gota do que se pode apreciar. 
No nosso caso, desse pedal, a prudência é essencial para nos mantermos firmes no desce e sobe de morros com estradas sinuosa. Por
vezes é prudente descer da bike e levá-la empurrando.
A prudência chama atenção para algumas exposições desnecessárias - o perigo de pedalar na contramão ou ultrapassar a BR sem prestar atenção nas carretas...
Toda prudência, contudo, não garante as fatalidades. Uma delas foi o ocorrido com o nosso amigo Chico.



O perdão


Nota introdutória: 
No pedal, no momento que estamos só, em contato conosco, apreciamos vivências profundas, geralmente nos conduzindo a ressignificação da vida. A experiência do perdão é uma delas.

O perdoar e o se perdoar (este, por vezes, mais importante) deve ser um exercício contínuo, pois é libertador e liberdade é um processo. 
O perdão passa pela revisão de algumas ações - é um avaliar se haveria uma forma mais amorosa de agir, de estar com outro, consigo e com a vida.
O perdão não é um gesto que passa pela culpa, ao contrário! Tem mais haver com o gesto movido pelo amor.
O perdão também não é um gesto movido pelo arrependimento ou pela ansiedade, que é o afã de reparar.
É claro que se houver possibilidade é importante pedir verdadeiramente desculpas. De modo semelhante é fundamental tentar reparar, mas sempre aprender com toda a lição.
Porém, se os "erros" persistirem e você  é recorrente em pedir desculpas pelas mesmas coisas, isso não é bom (porque o gesto do perdão não está no caminho certo).
O importante nesse caso é direcionar o "olhar para dentro" e buscar compreender o que leva você a repetição. Procure identificar o "nó" e "mergulhe" nele. Entre em contato com as tensões, conflitos, ânsias, o que surgir. Haverá certamente uma história não resolvida que precisa ser vivida e, em algum nível, perdoada.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Chuva de tristeza

Em um pedal desses ê comum a entrega ao momento vivido, Mesmo que indigeste. A vida se afirmando em todas as suas gotas, no giro do pedal,até novas paragens / existências emergirem.


Hoje minha alma está cinza
Chove no céu de mim
Lágrimas umedecem o coração 
Que se contrai no frio
Na companhia da tristeza 
Traiçoeira
Que abraço e me deixa mais só
No aperto do peito
No recolhimento do olhar para baixo
O corpo vai se precipitando 
Até, em algum momento 
Chegar ao marco zero 
Na espera de uma outra existência
Sustentado com coragem
Todas as dores de uma chaga invisível
E que um dia possa ser cicatriz, ao menos de uma lembrança doída
Vai sombra de homem!
Que margeia a estrada de algum lugar
Sem esmo 
Solto
Peregrino
Que na sua melancólica estrada
É esmagado pela memória chuvosa
De um dia triste.  

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Esvaziar a mente



Em uma das inúmeras subidas com os parceiros do pedal, dessa vez estava com Giovana - grande guerreira da bike.
Como que tomada por um insight, disse:
Sabe como esvaziar a mente? É subir uma serra!

Por Giovana 

Obs. Esvaziar a mente é estar em estado meditativo, onde a experiência do pensamento em termos de preocupação, expectativa, cobranças, etc., cessa.