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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Ajustamento Criativo

Um dias desses estava lendo algo sobre exercitar o cérebro. Este importante órgão humano, dizia a matéria, necessitava o tempo todo de novidades, como por exemplo, se você escova os dentes com a mão direita, que experimente escovar com a mão esquerda. Isto serviria para estimular o cérebro, pois ativaria regiões cerebrais pouco trabalhadas. Parece-me que isto tem sido um ponto de convergência entre os estudiosos da área, ou seja, fazer coisas diferentes das habituais, sobretudo atividades físicas e ou psicomotoras incorporadas ao próprio cotidiano do sujeito, ajuda a estimular o cérebro.
Na minha vivência com a bike, suponho que venho estimulando o cérebro, já que, ao praticar o ciclismo, tenho feito uma série de atividades fora do meu cotidiano. Entretanto, não só o cérebro parece estar sendo estimulado por conta de novidades em termos de movimentos e posturas. Tenho sentido outras partes do meu corpo que antes não me dava conta e descoberto algumas coisas. Por exemplo, tenho notado que durante um certo tempo de pedalada (coisa de meia hora) começo a sentir dormência nas mãos e nos braços. Esta sensação (no caso não é nada boa) certamente tem a ver com a minha postura, força, pressão e equilíbrio distribuídos no ato de pedalar. Ao experienciar o pedal, passo a me dar conta de um certo ajustamento corporal, manifestado agudamente, neste caso, pela sensação de dormência nas mãos e nos braços.
Longe de caminhar para uma contradição no que diz respeito a equação "atividades novas é igual a estimulação mental e física", creio que a vivência da experiência em pedalar me proporciona descobrir que meu ajustamento, para esta prática, precisa de novos ajustes.  Portanto, sem a vivência dessa experiência dificilmente descobriria a necessidade de aprender novas posturas, movimentos etc. de me ajustar criativamente e, consequentemente, me desenvolver.
Bem, resta agora eu conversar com minha professora de Pilates para ver novas formas de experimentar a bike sem sentir dormências nos primeiros 30 minutos!


terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Ciclismo peripatético


Para mim, o ciclismo tem um efeito, um feito, peripatético. Esta palavra grega, que significa “ambulante” ou “itinerante” e que faz referência a escola aristotélica (ou uma parte dela) de ensinar ao ar livre. Este efeito, feito, peripatético, no ciclismo significa que a atividade física vivida provoca em mim uma série de pensamentos ideias... No ato de pedalar muitas vezes me pego pensando, refletido sobre questões, trabalhando em uma ideia no sentido de elaborá-la. É claro que, com o tempo, aprende que não é muito legal (pelo menos para mim) ficar só “viajando”. Na atividade física procuro também focar na ação, no ato de respirar e deixar “a mente vazia”, bem na linha zen-budista. Chamo isso de terra-terra, ou seja, voltar minha consciência para os sentidos e a experiência do corpo. Procuro então equilibrar a experiência terra-terra com as reflexões. Esse jeito de curtir, por exemplo, as pedaladas, tem me proporcionado estar em contato com as experiências do corpo, dos sentidos, dos contextos, mas também acessado reflexões concentradas e refinadas sobre determinados temas.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

A magrela - o começo

A magrela, como a bicicleta é carinhosamente conhecida, parece ser uma dessas invenções humanas apaixonantes. Não sei se é porque dá uma sensação de que a gente flutua ao pedalar, como que em um sonho onde voamos e sentimos coisas agradáveis que beiram a sensação de liberdade e de poderes mágicos. Sim, liberdade tem sido uma palavra bem colocada para estar ao lado do verbo “bicicletar”! Essa máquina moderna que, contraditoriamente, assume uma marca de superação do modus vivendis contemporâneo do consumo, poluição, ostentação... A bicicleta, atualmente, ou melhor, o ciclismo, tem sido encarado como um estilo de vida onde o que se preza é a simplicidade, a amizade, o respeito à natureza e uma crítica a sociedade de consumo, que é veloz, poluidora e sem tempo para desfrutar das belas e simples coisas da vida, como um pôr do sol, um sorriso ou um canto de passarinho na beira de uma estrada qualquer.

Eu sempre gostei de bike. Quando criança viajava e fazia várias aventuras no meu mundo fantasioso de brincar. Mesmo adolescente e adulto, a magrelita sempre esteve ao meu lado. Porém, parece que agora ela veio com força e se mostra tendência, quase estilo de vida. Muitos dos meus conhecidos são “mordidos” por esta onda da bike. Eu gosto e acho que faz muito bem para todos!

Foi no assumir a intensidade dessa “onda” e na aventura que se horizonta de uma viagem de 1000 km na Patagônia (El Calafate à Ushuaia), que decidi escrever este livro (aberto) tentando dar uma organizada a partir de quatro grandes eixos:

1)    Psicologia do esporte (e do trânsito);
2)    Processos de ensino-aprendizagem;
3)    Desenvolvimento pessoal como rastros de uma pesquisa etnomedológica (fenomenológica);
4)    Outros toques e rumo à Patagônia.