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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Errando e aprendendo

Gosto desse lugar de neófito, de novo aprendiz. Sinto-me mais livre e com maior permissão de errar, sem grilos, como diz a gíria. É claro que isso é uma “parada minha”, não há ninguém me censurando.
Continuando sobre essa questão do "erro", é lamentável que este seja tão mal compreendido na sociedade e por mais bizarro que seja, é também mal compreendido nas escolas (lugar socialmente privilegiado de aprendizagens). O erro só faz sentido quando é visto com o seu complemento, o “aprender”. Afinal, é errando e aprendendo que a gente vive! O erro, nessa perspectiva é um bom sinal, sinal que a aprendizagem está em curso (claro que pode ser bloqueada). Assim, quem não tolera o erro, não gosta de ensinar, justamente porque nega o caminho de aprender.
Então, nesse meu processo de erra e aprender, sendo um novo aprendiz, tenho tido alguns bonsprofessores (ou tutores, como já comentado em postagem anterior). Lembro que em uma das minhas pedaladas, o parceiro Luciano Ribeiro me deu um toque quanto a postura para descidas. Ele me ensinou que eu deveria me inclinar para traz quando fosse descida e para frente quando fosse subida. Isso ajuda (e muito) na distribuição de peso e força, equilibrando o corpo e a bike, além de dar mais segurança e força. Naquele momento que Luciano me dava uns toques, estávamos descendo o Serrote do Urubu (Petrolina – PE) e eu quase me estripava!!! Desci o Serrote inclinado mais para frente (meu levantado do celin, inclinado ligeiramente para frente) e freando, mas como era muito íngreme, tive que frear de vez e aí quase fui jogado para frente da bicicleta. Ainda bem que estava devagar e deu para me equilibrar e segurar a bike.



Depois dessa lição, tenho experimentado criar o hábito (também falei sobre isso em outra postagem) de me inclinar para traz na descida e me inclinar para frente quando for subida. Porém, nem sempre é uma aprendizagem evidente. Hoje mesmo, em um pedal para a Ilha do Rodeadouro, por Juazeiro, quase sobrei em uma pequena descida. Este tipo de aprendizagem requer conscientização e repetição, ação e reflexão, diria Donald Schön.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Instrucionismo ou construtivismo?

Ultimamente tenho lido algumas coisas e refletido muito sobre a polêmica discussão presente na área da aprendizagem entre a vertente instrucionista versos a vertente construtivista. Há uma série de aspectos em jogo, que vão desde de disputas de saber-poder cultural (tradição norte americana X tradição européia) até questões que envolvem o poder territorial (quem define as políticas públicas educacionais brasileiras). Sem entrar no mérito dessas questões, me posiciono mais construtivista, embora reconheça a grande importância das contribuições instrucionistas. Há, no meu entendimento, um momento do ensino que a imitação, a modulação e a correção de uma instrução são importantíssimas, mas sem descartar que, nesse mesmo processo, é lançada toda uma dinâmica de construção do conhecimento por um sujeito ativo nesse mesmo processo. Estou a falar tudo isso para trazer algo que vivi no meu processo de aprender e me socializar no ciclismo, até porque todo processo de socialização é também um processo de aprendizagem. Bem, uma das coisas que não aprendi direito ainda é trocar pneu de bicicleta. Outro dia, em um "pedal", o pneu de um colega furou duas vezes. Tive, nessa ocasião, a oportunidade de ser instruído de como trocar o pneu. Para mim foi muito importante ver como o meu colega trocava, mas também ouvir as explicações, no momento vivido, das ações para trocar o pneu. É certo que agora preciso, eu mesmo, ter a experiência de trocar o pneu e também de alguém me corrigido, se for o caso, quando eu agir de maneira não adequada no ato de trocar o pneu. Penso que nesse processo de alguém me ensinar a trocar o pneu e eu aprender, e que nessa situação intensa de socialização, esteja rolando tanto o que os instrucionistas defendam, quanto que os construtivistas sustentam.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Criando o hábito

Em uma das pedaladas no paradisíaco litoral alagoano, Nilo se aproxima, emparelhando sua bicicleta à minha. Ele diz: “Procure pedalar sempre com a ponta do pé sobre o pedal. Crie esse hábito, Marcelo!”.

É certo que para quase todos os ciclistas experientes (e nem tão experientes assim), pedalar com a ponta do pé sobre o pedal é a posição, ergometricamente falando, mais adequada. Porém, nem sempre factível. Afinal, condicionar o corpo (neste caso, o pé e o ato de pedalar) implica aprender novas formas de se relacionar com a bicicleta e mesmo como o corpo. Esta chegada do Nilo indica que alguém mais experiente se ocupa (e se preocupa e cuida) de um outro mais novo, introduzindo gestos, conhecimentos, ou seja, educando, em um processo de ensino e aprendizagem vivencial. E isto é muito comum neste tipo de esporte, além configurar, do ponto de vista antropológico, como se dão os processos de ensino e aprendizagem.






O hábito, essa incorporação de estrutura estruturante (no dizer de Bourdieu) passa, necessariamente, por uma mediação, instrução, orientação, reflexão e vivência da experiência. Foi, portanto, muito importante a chamada do Nilo pois provocou minha atenção, meus sentidos, aguçou todo um complexo cognitivo, mas que também me obrigou a uma série de repetições e autocorreções. Não sei se incorporei as aprendizagens (ou se criei hábito), mas estou a caminho!