sexta-feira, 3 de junho de 2016

As 21 quedas de Arqueline

Na saída de Santos Dumont para Juiz de Fora foi uma experiência, no mínimo, inusitada. Logo de cara fizemos uma subida radical - era paralelepípedo e como estava chuviscando, as as bicicletas deslizavam. Depois, seguindo os marcos da Estrada Real, emborcamos em uma trilha fechada. Entre lama, mata fechada e subidas íngremes, depois de uma hora empurrando as bicis, vencemos menos de 1 km. Daí em diante foi só lama grossa, riachos e mais mata fechada. Mesmo as fazendas que encontrávamos eram nas entranhas da mata. Quase não dava para pedalar. Na subida bruta de um trecho, quando todos estavam no topo, Arquelene, a última, vez por outra caia e tombava com bicicleta e tudo no chão! A diversão então passou a caçoar a valente Arquelene. Então quando o grupo, no topo do morro, ria dos seus tombos, ela de lá de baixa esbravejava e soltava todos os impropérios. Ao todo foram 21 quedas.



A prudência

 A prudência é uma valiosa sabedoria que, entrelaçada com a aventura, eleva a experiência das histórias vividas. A prudência não é impedimento, portanto, para aventura, para o sabor de uma história vivida que se degusta na entrega. 
A prudência é a nossa parte, são as ações que nos cabem, para nos mantermos em integridade, de nos preservarmos, até mesmo para nos prolongarmos na própria aventura, na história. Não por covardia de encarar o fim, o inevitável, mas por sorver cada gota do que se pode apreciar. 
No nosso caso, desse pedal, a prudência é essencial para nos mantermos firmes no desce e sobe de morros com estradas sinuosa. Por
vezes é prudente descer da bike e levá-la empurrando.
A prudência chama atenção para algumas exposições desnecessárias - o perigo de pedalar na contramão ou ultrapassar a BR sem prestar atenção nas carretas...
Toda prudência, contudo, não garante as fatalidades. Uma delas foi o ocorrido com o nosso amigo Chico.



O perdão


Nota introdutória: 
No pedal, no momento que estamos só, em contato conosco, apreciamos vivências profundas, geralmente nos conduzindo a ressignificação da vida. A experiência do perdão é uma delas.

O perdoar e o se perdoar (este, por vezes, mais importante) deve ser um exercício contínuo, pois é libertador e liberdade é um processo. 
O perdão passa pela revisão de algumas ações - é um avaliar se haveria uma forma mais amorosa de agir, de estar com outro, consigo e com a vida.
O perdão não é um gesto que passa pela culpa, ao contrário! Tem mais haver com o gesto movido pelo amor.
O perdão também não é um gesto movido pelo arrependimento ou pela ansiedade, que é o afã de reparar.
É claro que se houver possibilidade é importante pedir verdadeiramente desculpas. De modo semelhante é fundamental tentar reparar, mas sempre aprender com toda a lição.
Porém, se os "erros" persistirem e você  é recorrente em pedir desculpas pelas mesmas coisas, isso não é bom (porque o gesto do perdão não está no caminho certo).
O importante nesse caso é direcionar o "olhar para dentro" e buscar compreender o que leva você a repetição. Procure identificar o "nó" e "mergulhe" nele. Entre em contato com as tensões, conflitos, ânsias, o que surgir. Haverá certamente uma história não resolvida que precisa ser vivida e, em algum nível, perdoada.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Chuva de tristeza

Em um pedal desses ê comum a entrega ao momento vivido, Mesmo que indigeste. A vida se afirmando em todas as suas gotas, no giro do pedal,até novas paragens / existências emergirem.


Hoje minha alma está cinza
Chove no céu de mim
Lágrimas umedecem o coração 
Que se contrai no frio
Na companhia da tristeza 
Traiçoeira
Que abraço e me deixa mais só
No aperto do peito
No recolhimento do olhar para baixo
O corpo vai se precipitando 
Até, em algum momento 
Chegar ao marco zero 
Na espera de uma outra existência
Sustentado com coragem
Todas as dores de uma chaga invisível
E que um dia possa ser cicatriz, ao menos de uma lembrança doída
Vai sombra de homem!
Que margeia a estrada de algum lugar
Sem esmo 
Solto
Peregrino
Que na sua melancólica estrada
É esmagado pela memória chuvosa
De um dia triste.  

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Esvaziar a mente



Em uma das inúmeras subidas com os parceiros do pedal, dessa vez estava com Giovana - grande guerreira da bike.
Como que tomada por um insight, disse:
Sabe como esvaziar a mente? É subir uma serra!

Por Giovana 

Obs. Esvaziar a mente é estar em estado meditativo, onde a experiência do pensamento em termos de preocupação, expectativa, cobranças, etc., cessa. 

Ouvindo o silêncio




Pedalar na Estrada Real é uma verdadeira oportunidade de curtir a paz de espírito, de ouvir o silêncio! Foi isso que o mestre Arestides disse quando o interpelei sobre a paz que era pedalar naquelas paragens... "
- Marcelo? Vamos ouvir o silêncio? 
Disse seu Arestides como quem me dizendo para não interromper aquele barato.

Descobertas de ouro



No percurso que fizemos de Glaura a Congonhas, em Minas,  um casarão secular, na cidade de Antonio Leite, me chamou atenção e logo quando comecei a tirar fotos um senhor me chamou e falou:
- Vou tomar um pouco do seu tempo porque vi você tirando fotos deste casarão.  É o seguinte: D. Pedro l tomou café aqui e também sou da quarta geração da familia de Tiradentes.
Então ele foi lá dentro e trouxe 4 relíquias. Um dos primeiros rádios que chegou no Brasil, um rádio bem antigo de caminhão, um objeto para engarrafamento de cachaça e um metro para medir tecidos, que ele garante ser o único no Brasil.
Isso é mais uma emocionante narrativa viva dos tempos do ouro,  do sofrimento, da escravidão e tantos outros acontecimentos marcante em nossas vidas que passam despercebidos.

Por Del  (Adeildo Alexandre Santos)